Mercado Ver-o-Peso - Belém (PA)

“No meio do Pitiú”, como imortalizou a cantora paraense Dona Onete, por meio do termo regional que descreve unicamente o cheiro deixado pelos restos de peixe em feiras, se encontra a maior da América Latina: O Mercado Ver-O-Peso.

 

Não apenas o odor, mas as cores e sons do mercado, localizado na Cidade Velha de Belém, às margens da Baía de Guajará, formam cenas inquietantes, que, entre a exuberância e a precariedade, parecem traduzir o país. Não à toa, o Ver-O-Peso é considerado uma das sete maravilhas brasileiras.

 

Envolto em mistérios, o mercado abriga tanto produtos quanto personagens únicos, que compõem e refletem sua áurea. Na Barraca do Nego, de número 28 na feira, por exemplo, o vendedor Carlos Alberto de Souza vende há 40 anos os produtos que produz a partir do jambú, planta que é um dos símbolos do Pará, conhecida pela dormência, ou tremedeira, que causa na boca.

 

O vendedor começou a trabalhar no Ver-O-Peso aos sete anos, e aprendeu o ofício com a família. “O que eu mais gosto daqui é a popularidade. Aqui vem gente de tudo quanto é lugar, de fora do país. Aqui tem de tudo”.

 

Carne, animais vivos, frutas, polpas, refeições completas, roupas, sementes, castanhas, maniçoba, e ervas medicinais. Essa última, na opinião de Carlos, é a parte mais exótica do mercado. “São produtos amazônicos indígenas, eles curam todas as doenças”, explicou.

 

A área de ervas medicinais, plantas, e também banhos de cheiro, que prometem até mesmo proporcionar maior atração sexual para quem adquirir os pequenos vidrinhos, é uma das principais e mais coloridas do mercado.  

 

Após três dias visitando o Ver-O-Peso, resta a sensação de que seria preciso uma vida para conhecer, entender e documentar com precisão esse universo, que parece transbordar o imaginário.

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