Meninas Marajoaras e a Fábrica de Calcinhas de Damares

Em agosto de 2019, acompanhei como fotógrafa a cobertura da repórter Andrea Dip sobre a violência sexual contra crianças e adolescentes na Ilha do Marajó. No mês anterior, a ministra dos direitos humanos Damares Alves, havia anunciado a criação de um novo programa social para combater a questão, o Abrace o Marajó, e afirmou que as meninas são abusadas porque precisam de calcinhas, então iria construir uma fábrica de roupas de baixo.

 

Investigamos qual o real motivo para as recorrentes denúncias de abuso e exploração sexual de crianças no arquipélago, que se tornou conhecido pelo fenômeno das "meninas balseiras", crianças que atracam suas canoas em balsas nos rios e são exploradas por caminhoneiros e outros trabalhadores em troca de comida. 

Acompanhamos uma ação do Ministério Público na zona rural do município marajoara de São Sebastião da Boa Vista, uma palestra de formação para estudantes e professores da comunidade de Nossa Senhora de Nazaré sobre a exploração e o abuso sexual. Também visitamos a casa de uma família que abrigou uma menina de 15 anos, que era estuprada pelo seu próprio pai desde criança e engravidou aos 11. A família adotou ela e sua filha, como irmãs. 

Ao longo da apuração, percebemos a alarmante ausência do Estado nas partes mais pobres do Marajó. Lá, falta de tudo: em São Sebastião da Boa Vista não há delegado há um ano, ou barcos para operações da polícia e do Conselho Tutelar, muito menos abrigos para as crianças abusadas. Os municípios do Marajó têm alguns dos piores índices de desenvolvimento humano (IDH) no país. 

Confira a reportagem completa no site da Agência Pública

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